Milhares de pessoas encheram, esta terça-feira, as ruas do centro do Caniço, no concelho de Santa Cruz, para assistir ao tradicional cortejo de Carnaval, marcado este ano por forte sátira social e crítica a temas da atualidade local.
O desfile, que percorreu as principais artérias da freguesia do Caniço, reuniu grupos organizados, associações e foliões independentes, que apostaram em carros alegóricos criativos, figurinos coloridos e mensagens carregadas de ironia.
Entre os temas em destaque esteve o acampamento clandestino de turistas, uma situação que tem gerado debate na comunidade. Vários participantes recriaram cenários caricatos de tendas improvisadas e “zonas de campismo” fictícias, numa crítica bem-humorada ao fenómeno e à falta de fiscalização. As encenações arrancaram gargalhadas e aplausos do público, que se concentrou ao longo do percurso para acompanhar o desfile.
Outro momento que motivou sátira foi a recente procissão realizada na freguesia, que decorreu com recurso a música reproduzida por coluna de som, substituindo a tradicional banda filarmónica. Os foliões ironizaram a situação com representações de andores acompanhados por colunas e “músicos” de fingimento, numa clara alusão à polémica que marcou o evento religioso.
O cortejo voltou, assim, a afirmar-se como espaço de liberdade criativa e crítica social, onde a tradição carnavalesca serve de palco para comentar, com humor e irreverência, acontecimentos que marcam a vida da comunidade. A forte adesão popular confirmou a importância do Carnaval no calendário cultural do Caniço, num ambiente de festa que juntou diferentes gerações.
1111 







