Sem data fixa no calendário, o evento realiza-se sempre numa quarta-feira, cerca de 20 dias após a Quarta‑feira de Cinzas. A tradição terá sido trazida do norte de Portugal e, ao longo das gerações, foi sendo preservada pelos moradores da zona, tornando-se um momento especial de convívio comunitário.
A celebração começa oficialmente pelas 20 horas, embora os preparativos se iniciem logo pela manhã. Habitantes da localidade organizam os adereços, preparam o percurso e tratam da decoração, onde não faltam os tradicionais candeeiros que ajudam a iluminar a noite festiva.
Um dos momentos mais aguardados é o cortejo pelas ruas da freguesia. A figura central é a “velha”, personagem que simboliza o inverno que chega ao fim. Curiosamente, a personagem é quase sempre interpretada por um homem, que se veste de velha para participar na encenação. A “velha” segue num carro que percorre algumas ruas da freguesia, acompanhada por moradores e curiosos.
A animação é garantida pelo barulho típico da festa: búzios, latas e apitos de carros fazem eco pelas ruas, criando um ambiente ruidoso e alegre que chama a atenção de toda a comunidade.
Para além da vertente festiva, a Serrada da Velha tem um forte simbolismo. O ritual representa uma transformação, marcando o limiar da primavera e o renascer do novo ano agrário — a passagem do chamado “ano seco” para o “ano verde”, associado ao regresso da fertilidade da terra e ao início de um novo ciclo agrícola.
Outro elemento característico é o testamento da velha, que a personagem leva consigo. Tradicionalmente, este documento é lido em tom humorístico e satírico, referindo-se a episódios, figuras e acontecimentos da comunidade local, arrancando gargalhadas entre os presentes.
Após o cortejo e a encenação, a festa termina com um convívio entre os moradores da Primeira Lombada, reforçando os laços comunitários e mantendo viva uma tradição que atravessa gerações.
Mais do que uma simples celebração, a Serrada da Velha continua a ser um símbolo da identidade cultural local e da ligação da comunidade aos antigos rituais que celebram a natureza, o ciclo das estações e o espírito de partilha entre vizinhos.
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